Manuel Eduardo Pereira ( O Paz Guerra ) ( 1833 – 1905 )

Manuel Eduardo Pereira ( O Paz Guerra ) ( 1833 – 1905 )

244 400 João Ramalheira

Muito interessante esta família Eduardo Pereira! Fazem parte dela, com relevo, Padre Emídio Eduardo Pereira, Padre Fernando Eduardo Pereira e Joaquim Júlio Pereira, mais conhecido por Joaquim Borrão. O pai e avô deste, respectivamente, Joaquim Eduardo Pereira e Fernando Eduardo Pereira, eram pintores, tendo feito trabalhos, noutros tempos, na Capela da Vista Alegre e na Capela da N.S. das Dores, segundo informação do seu filho, Paulo Pereira.

Este excelente pintor/desenhista/aguarelista e também actor ilhavense do sec. XIX, era tio, por afinidade, do distinto Drº João Carlos Celestino Gomes e irmão do Padre Fernando Eduardo Pereira, que paroquiou na Chamusca, duma forma relevante. Pertenceu ao Clube dos Novos que tinha a sua sede no Teatro Recreio Artístico (antiga loja dos Vizinhos, no Largo do Oitão). A seu lado, na foto, o quadro de Nª.Senhora da Conceição, de sua autoria (foto cedida pelo Dr.º Manuel José Gomes Vaz Craveiro). Com os actores João da Conceição Barreto, João da Rocha Carolla e Rosa Gomes, inauguraram este Teatro em 6 de Fevereiro de 1876 com as comédias “Camões do Rocio” e “Um Marido Que É Vítima das Modas”. Foi também co-autor (com Gabriel Pereira da Bela e Amadeu Simões Teles) das pinturas que ainda hoje se podem admirar naquelas instalações. Filho de Joaquim Simões Malaco e Maria Luísa do Real, foi baptizado em 11-04-1833 pelo Coadjutor José Nunes do Couto, neto paterno de Tomé Simões Malaco e Maria Pereira, materno de José Pereira Real e Luísa Antónia, sendo padrinhos Manuel, filho de Silvestre Fraco e Joana Rosa, filha de João António Bilhano. Casou com Luísa Gomes de Oliveira Vidal, filha de Manuel José Gomes e Victória Umbelina Vidal em 30-04-1864, sem geração, no mesmo dia do seu cunhado, Gabriel Pereira da Bela. Aprendeu a arte com Chartier Rousseau, que na altura dirigia as oficinas de pintura da Vista Alegre. Em Ílhavo, foi dos primeiros a tentar a douradura em cristal. Trabalhou, com o seu cunhado, na Vista Alegre, mas, por motivos políticos abandonou a fábrica e optou por outras artes, ensinando também. O Dr.º Rocha Madahil dizia que Manuel Eduardo Pereira desenhava a crayon com grande facilidade, a ponto de se confundirem, por vezes, as suas composições, com as de Rousseau. Ensinou várias gerações, até acabar, pobremente, a construir presépios de cortiça, enfeitados com florinhas de gesso e musgo, que depois enviava à Fera de Março, para venda. Neste estilo, fez o Horto das Oliveiras, S. Pedro, S. Madalena, a Varanda de Pilatos, o galo e muitos outros. Segundo o Padre João Vieira Resende, na Igreja Matriz de Ílhavo, esculturou e pintou Santa Clara e Senhor Jesus do século XVIII. Referiu o Dr.º Rocha Madahil, que a ele e a Gabriel Pereira da Bela, se deve um processo de douradura em vidro, resistente aos ácidos. Construíram eles próprios a mufla especial, sacrificando umas poucas libras que dum parente comum herdaram. Faleceu na Rua Serpa Pinto, em 27-03-1905 com 70 anos, estando sepultado no Cemitério de Ílhavo, em local que não conseguimos descortinar. No seu funeral teve o acompanhamento da Filarmónica Ilhavense, executando Marchas Fúnebres ao longo do trajecto.

(Fontes: Dr.º Manuel José Gomes Vaz Craveiro, “Etnografia e História – Bases para a Organização do Museu Municipal de Ílhavo”, do Dr. António Gomes da Rocha Madahil, “As Alminhas” do Padre João Vieira Resende e Jornal O Ilhavense)