António Frederico Vieira de Moura ( 1909 – 2002 )

António Frederico Vieira de Moura ( 1909 – 2002 )

160 224 João Ramalheira

Nasceu em Aveiro, na Rua do Gravito, Freguesia da Vera Cruz, no dia 28-02-1909, baptizado pelo Prior Manuel Ferreira Pinto, neto paterno de António Homem de Moura e Cândida de Jesus, materno de João André Gomes e Maria Rosa Gonçalves Vieira, filho do Dr.º Francisco António Marques de Moura e Rosa Gomes Vieira (sua segunda esposa), sendo padrinhos o Dr.º António Frederico de Moraes Cerveira e sua esposa, Maria Henriqueta da Maia Alcoforado Cerveira. Com apenas cinco anos, veio para Ílhavo com toda a família, concluindo, na nossa terra, a instrução primária. Fez o ensino secundário em Aveiro no antigo Liceu José Estevão. Matriculou-se na Universidade do Porto, Faculdade de Ciências, onde fez o primeiro ano, transferindo-se depois para a Universidade de Coimbra onde concluiu o curso de Medicina no ano de 1933. Em 1960 licenciou-se em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da mesma Universidade de Coimbra. Desempenhou o cargo de médico municipal e subdelegado e delegado de saúde do concelho de Vagos. Foi professor no Instituto Superior de Contabilidade de Aveiro (ISCA), Director do então Museu Marítimo e Regional de Ílhavo e Deputado à Assembleia da República nas III e IV Legislaturas, onde fez intervenções sobre: José Estevão, Jaime Cortesão, José Gomes Ferreira, Aquilino Ribeiro, David Cristo, Paulo Quintela, Andrée Crabbé entre outros. Proferiu variadíssimas conferências por todo o país, destacando-se a realizada em Lisboa na Biblioteca Nacional, a realizada no Teatro Aveirense “Medicina e Cultura” em 1988 mas igualmente de destacar as realizadas em Ílhavo, Leiria e Sintra. Publicou textos em vários jornais e revistas. De realçar a publicação de um conto de natal “Os rústicos viram a estrela” na revista do Instituto Luso-Fármaco em 1967. Foi um dos colaboradores do jornal “Beira-Mar”. Defendeu a candidatura de Miguel Torga, seu amigo pessoal, para Prémio Nobel da Literatura. Fez uma biografia do Maestro Duarte Gravato. Escreveu uma carta ao seu colega Dr. Nogueira de Lemos em 21 Fevereiro de 1958 que foi publicada na revista da Ordem dos Médicos (ROM) e no Boletim Informativo da Associação Portuguesa de Urologia. Sob o nome literário de Frederico de Moura publicou: Vista de Olhos de um médico sobre o problema da Criança em 1942, I Centenário da Banda Vaguense, 1860-1960, em co-autoria com Prof. João Marques Ramalheira e Prof. Pereira Teles em 1960, Vestígios de Miguel Torga em 1977, apontamentos para um trabalho sobre a Paisagem de Aveiro, Opúsculo de 1968 publicado em separata na revista “Aveiro e o seu Distrito”, Falas de um Médico, Opúsculo de 1973 que saiu em separata no nº 984 do jornal “Litoral”, Ressonâncias no ano de 1999 e Apontamentos para a História de Vagos em co-autoria com J. Graça e Marques Gomes em 2000. Participou na revista “O Francês das Notas” que estreou a 4 de Setembro de 1924, em Ílhavo e em 8 de Abril de 1973 condenou, veementemente, a célebre repressão policial em Aveiro. Em Janeiro de 2008 a sua filha Rosa Maria Moura Resende editou o livro “Pulso Livre” que se encontrava já organizado pelo seu pai. De referir que o produto da venda deste livro póstumo reverteu na íntegra a favor do Centro de Acção Social do Concelho de Ílhavo (CASCI). Frederico de Moura recebeu vários Prémios, destacando-se a Medalha de Mérito da Ordem dos Médicos secção Zona Centro em Maio de 1997, Medalha Mérito Municipal em prata atribuída pela Câmara Municipal de Aveiro em 1999 e a título póstumo a Medalha de Mérito Municipal em Ouro, atribuída pela Câmara Municipal de Vagos em 2003. Em 2008 o Dr.ºAntónio Malaquias publicou um opúsculo “Evocando Frederico de Moura” em jeito de homenagem. Faleceu em 16-01-2002, com 92 anos, estando sepultado no Cemitério de Ílhavo, em Jazigo de Família.

(Nair Alves Figueira de Moura, esposa de Frederico de Moura)

 

(Texto de João Balseiro com João Aníbal Ramalheira)