Conselheiro António José da Rocha ( 1811 – 1904 )

Conselheiro António José da Rocha ( 1811 – 1904 )

247 400 João Ramalheira

Nasceu em Alqueidão a 02-10-1811, baptizado pelo Padre Manuel Neves do Pranto, este preclaro Ilhavense, filho de Manuel da Rocha Fradinho e de Joana Clara de Assumpção. Foi seu padrinho, o Padre Doutor Manuel da Rocha Couto, professor na Universidade de Coimbra. Pertencia a uma família importante de Vale de Ílhavo, sendo seu pai, o proprietário da Quinta do Barreto. Foi um dos fundadores da então Filarmónica Ilhavense (Música Velha), hoje Filarmónica Gafanhense. No ano de 1836, com a ajuda do amigo ilhavense Conselheiro José Ferreira da Cunha e Sousa, construíram o primeiro teatro de Ílhavo, na então Rua do Passal (onde hoje se encontra a Casa Mortuária). Para o espectáculo de inauguração tinha sido convidada a orquestra da banda da fábrica da Vista Alegre, mas à última da hora a orquestra faltou, pois o seu director que era de política contrária à dos organizadores, não o permitiu. Assim, estes ilhavenses levaram-se em brios e fundaram a Filarmónica Ilhavense. Fez parte do movimento para a criação em Ílhavo (1836), da Guarda Nacional do Concelho. Foi Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça e vice-presidente do Tribunal da Relação do Porto. Em 1837 foi presidente da câmara, altura em que foi construído o cemitério público, calcetadas as ruas da vila, o início do policiamento e o desaparecimento do chamado “Rego”, uma vala que atravessava toda a Rua Direita, bem como as estrumeiras em frente das casas dos pescadores. Foi também deputado por Ovar e Ponte de Lima, tendo sido agraciado com a Comenda da Ordem Militar da Nossa Senhora da Conceição, pelos serviços prestados na magistratura judicial, por proposta do Ministro de Negócios Eclesiásticos e da Justiça. Casou-se em 1844 com D. Maria Emília de Almeida Queirós, filha do Conselheiro Joaquim José de Queirós, de Verdemilho, avô de Eça de Queirós, passando a ser, por afinidade, tio deste ilustre escritor. Tiveram uma filha que faleceu prematuramente. Era irmão de José da Rocha Fradinho, presidente do Tribunal da Relação do Porto, onde viria a falecer em 09-04-1894. António José da Rocha faleceu em 01-01-1904 com 93 anos e está sepultado no cemitério de Ílhavo, num jazigo de família, mesmo ao lado esquerdo da Capela, onde também repousa o Arcebispo Pereira Bilhano. É o Jazigo mais antigo do Cemitério, construído em 1889.