Curiosidades de Ílhavo (1)

Curiosidades de Ílhavo (1)

150 150 João Ramalheira

ALGUMAS CURIOSIDADES DA NOSSA TERRA…(I)

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É ele mesmo: o pintor Joaquim Paulo Pereira, mais conhecido por Joaquim Borrão, com João Carvalho! O grande animador dos Carnavais antigos, anos 50/70, que, com o seu amigo Padinhas (pai), geralmente trajado de mulher, faziam furor, em verso, do que ia acontecendo de mais relevante, em Ílhavo. Foi também ele que, na altura, pintou os muros do Parque Infantil, junto ao Pavilhão Adriano Nordeste, bem como a parede do pequeno lago à entrada da Malhada, já desaparecido.  Muitas histórias se contam sobre este personagem e ainda há quem tenha alguns dos versos desses tempos. Esta foto, registada pelo Carlos Manuel Duarte, foi-nos gentilmente facultada pelo Jornal O Ilhavense e representa a última vez em que Joaquim Borrão esteve em Ílhavo, num dos últimos Carnavais e entrevistado pelo Manuel Teles. Os últimos tempos da sua vida foram passados em Sepins, Cantanhede, onde se encontra sepultado. Dizem-nos que Joaquim Borrão chegou a fazer pinturas de restauro, na Capela de Escapães, perto de Sepins e na Igreja de Windsor, Canadá. Faleceu em 29-08-2003.

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A FLORESTA DO CONCELHO DE ÍLHAVO NOS ANOS 30

Em
1930 a área total das areias da floresta do concelho de Ílhavo era superior a
1.200 Ha, cerca de 800 para sul da estrada Ílhavo – Costa Nova e 400 para
norte. De 1926 a 1931 foram semeados 622 Ha de pinheiros no concelho.

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Nessa altura, havia as seguintes casas da Mata: Guarda Velha junto à carreira
de tiro da Gafanha de Aquém; Guarda Branca junto à Gafanha da Nazaré; Guarda
Nova na Gafanha da Encarnação, junto à estrada que seguia para sul e dimanava
da estrada Ílhavo – Costa Nova; Guarda do Carmo entre Vagos e Ílhavo, na
extrema dos concelhos. O encarregado destas sementeiras foi o zeloso Sr.º Levi
dos Santos Reigota, acompanhado por vários empregados da Florestal e largas
dezenas de jornaleiros e jornaleiras, que além das sementeiras também fiscalizavam
os trabalhos

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No rés-do-chão do antigo Museu (anos 20/30), chegou a funcionar um café/clube com o nome de Recreio Artístico/e Recreio Ilhavense, alugado pelo pai do Sr.º Cândido Rocha!! Tinha uma orquestra privativa que animava os bailes, sendo trespassado em Maio de 1931, para os Bombeiros de Ílhavo. Mais tarde é Henrique Rato, baterista do Liberdade Jazz, que fica com o estabelecimento. Esta casa de recreio tinha um regulamento próprio e os utentes só o poderiam frequentar, mediante o pagamento de uma cota.

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Cândido Rocha (Pai)

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Cândido Rocha (Filho)

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Henrique Rato

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Jantar de confraternização no Salão de Festas do Illiabum Clube

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(Semedo, prof. José Lau, Hilário, Pinho, António e João Bagão Félix, Ferreira Jorge e Franco) Foto de Tó Ju


Procissão do S.Jesus dos Navegantes em 5 de setembro de 1971

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Foto de Tó Ju


Nos anos 90, durante o mandato de João Teles como presidente da direcção da Música Nova, entre outras actividades, adquiriu-se um novo instrumental completo, informatizou-se a base de dados das partituras existentes e lançou-se um repto ao maestro da altura, Artur Pinho, no sentido de “colocar na estante”, uma peça musical dum autor Ilhavense, dentre as várias existentes no espólio da Banda. A escolha recaíu em Berardo, do compositor Armando da Silva e a estreia realizou-se num concerto efectuado no Jardim Henriqueta Maia.

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Postal de Vitor Peixe (já falecido), enviado num passado Natal a desejar Boas Festas. Existe ainda na Gruta esta pintura feita em tempos idos, por Vítor Peixe, com a conhecida quadra do Eng.º António Picado:

E as ondas do mar lambendo

O convés do teu veleiro

Lembram carícias distantes

Em rostos de marinheiro

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Recorte duma entrevista de Vitor Peixe no programa Recordar É Viver em 05-01-1993

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  • Os lugares de Verdemilho, Bonsucesso e Quinta do Picado, faziam parte do concelho de Ílhavo, passando para o concelho de Aveiro em 1835
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Noutros tempos existiam em Ílhavo três cocheiras e respectivas cavalariças. A mais antiga era do Ti Domingos Ramalheira, no Cimo da Rua de Camões, que dispunha de um belo landau ( carruagem de 4 rodas puxada a cavalos e coberta com tejadilho que se pode cobrir ou descobrir), que só era utilizada em casamentos ou baptizados; a do Ti Catão (pai do Prof. Duarte Pinho), muito próxima da outra, situada no Beco da Manga, a do Ti Peles em Cimo de Vila e a do Parracho, em Espinheiro. Anos mais tarde apareceu o Ti Manuel de Jesus Bilelo, que morava no Urjal e que dispunha de um carro para 4 pessoas, puxado a um cavalo e que ao tempo, transportava as raparigas que frequentavam a Escola Primária Superior, em substituição da antiga Escola Normal, para professores primários. Os embarcadiços (capitães e marinheiros) também os utilizavam, quando pretendiam alcançar o caminho de ferro em Aveiro, com destino ao Porto ou Lisboa e também os músicos quando se deslocavam p.ex. para as cerimónias da Semana Santa na Lavandeira. A bicicleta era o meio de transporte mais usado, até pelos médicos nas consultas que faziam aos seus doentes. Só mais tarde o Dr. Samuel Maia, que morava em Espinheiro, adquiriu um Ford, com faróis alimentados a acetilene.

  • As voltas que a água dá (1926)

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A Fontoura tem andado em estado de sítio! Uma revolução que tem arrastado até ali, curiosos e jornalistas. O povo até já quis ver milagres, onde há apenas água jorrando da terra em abundância. Na Fontoura houve noutros tempos uma fonte. A canalização dessa fonte, cuja água vinha da Rua Direita, permaneceu, depois de extinta a fonte Quando da instalação da luz eléctrica, é provável que algum poste tivesse danificado a canalização. E a água, limpida e fresca, começou de brotar lá em baixo, junto à casa do sr. Luís Bingre. Mas a água tem caprichos. A água é boémia. E um dia, a água cantante e borbulhante, entendeu que devia começar de brotar noutro sítio. Talvez perto duns olhos lindos que ali moram. Uns olhos fradescos perscrutantes. Foi o diabo! Já não havia explicação para o caso. O povo da vizinhança, passava horas, ladeando a nascente, comentando, fitando o borbulhar da água. Mas o diabo tece-as. Não gosta que brinquem com ele. E a água…transfeiriu de novo o seu despontar à face da terra. Surgiu mais acima. E os homens da câmara lá andaram enleados, atrás da água caprichosa que fugia de aqui para brotar acolá, límpida, caprichosa, acirradora. E que era então? Era água, água e só água muito fresca e nada mais. E vai então, vejam vocelências, os habitantes da Fontoura, que até aí não tinham água de Verão, ficaram, por artes estranhas, e diabólicas, tendo à porta, água em abundância. E fica explicado o milagre!

  • Em Julho de 1926, o ilustre fotógrafo ilhavense Paulo Namorado, abria o seu atelier de fotografia, na Praça da República

  • Um anúncio interessante de 1932

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  • Por volta de 1917 fundou-se em Ílhavo um orfeão dirigido por Bernardo Pinto Camelo, em que os ensaios eram realizados no antigo Salão do Cinema Ideal, à Rua Serpa Pinto e onde mais tarde esteve instalada uma garagem de Manuel Figueiredo Vinagre. No primeiro ensaio compareceram cerca de 100 orfeonistas! Destacavam-se as vozes de José Carola, Francisco Barreto, Ulisses Nação e outros. Ao segundo ensaio já não apareceram metade dos orfeonistas e no terceiro ensaio, apenas uma dúzia!!!!! Não chegou a haver apresentação em público. Mais tarde, na Costa Nova, surgiu um orfeão dirigido pelo Dr.º Manuel dos Reis, professor na Universidade de Coimbra, constituído por quatro naipes e que tomou parte numa récita realizada no Salão Arrais Ançã, em benefício do Hospital de Ílhavo. Tinha cerca de cincoenta vozes e cantaram Linho Fresco, de Tomás Borba, Portugueses e outros. Ainda mais tarde surgiu outro orfeão em Ílhavo que se apresentou num sarau organizado pela Plêiade Ilhavense, cantando Canção da Lousã, Linho Fresco e uma Rapsódia

  • Data de 1800 a petição que o Prior de São Salvador, João Martins dos Santos dirigiu a Sua Alteza o Príncipe Regente, para que lhe fosse passada Provisão de licença, aprovação e confirmação, para estabelecer um Hospital em Ílhavo. Esta petição foi atendida pela Mesa do Desembargo do Paço, que em 18 de Junho de 1800 passou ordem ao Provedor da Câmara de Aveiro, Dr. Manuel Cipriano da Silva, para devidamente a informar e dar-lhe parecer. Assim, procedeu-se a uma vistoria para examinar e estado e adiantamento em que se encontravam as obras do edifício, destinado ao Hospital. Esta vistoria realizou-se em 8 de Julho de 1800, com a presença do Provedor da Comarca, escrivão Manuel José de Almeida, os louvados José Simões Resende, de Ovar e José Simões de Pinho, de Verdemilho, bem como mestres pedreiros e carpinteiros

  • A Farmácia Cunha (hoje Farmácia Senos) foi fundada em 1807 por José António de Oliveira Vidal. Sucedeu-lhe na direcção técnica, Agostinho Ferreira Vieira, passando depois para seu filho Manuel Ferreira da Cunha, distinto farmacêutico, escritor e biógrafo

  • O avô paterno do ilhavense já falecido Evangelista Ramalheira, Manuel Pereira Ramalheira, era marítimo e faleceu afogado à entrada da Barra, sendo o seu corpo arrastado até à praia de Buarcos, onde se encontra sepultado, depois de a sua esposa e familiares, terem percorrido a pé a costa marítima. desde a Vagueira até aquela praia, para o encontrarem

  • José Fernandes da Silva, o Zabumba, de Vale de Ílhavo, foi, durante muitos anos, feitor da casa das Senhoras Maias

  • Manuel Tomás de Mendonça, ilhavense, frequentou a Escola Médica do Porto, sendo condiscípulo de Camilo Castelo Branco. Foi administrador do concelho e chegou a fazer parte da Junta Geral do distrito. Médico, jornalista, poeta, chegou ainda a representar no antigo Teatro do Paçal em Ílhavo.

  • O Largo da Capela da Nossa Senhora do Pranto e o jardim do Hospital, chegaram a ser locais sugeridos para a implantação do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, mas ambos rejeitados. A Comissão encarregada para a sua implantação  pretendia um local no centro da antiga Vila, o que viria a acontecer, mais tarde. Diniz Gomes era na altura o presidente da Câmara.

  • Em 1924 João Teles, Guilhermino Ramalheira,Teodoro Craveiro e Victor Rui (grupo de amadores dramáticos da vila), dinamizaram o aparecimento da chamada Ala dos Novos, com a ajuda da então élite feminina de Ílhavo. A Ala dos Novos ficou incumbida de levar à cena a revista O Francês das Notas, na inauguração do Teatro que a Câmara estava a construir no antigo Convento de Cimo de Vila, o que veio a acontecer em 4 de Setembro de 1924

  • Em 30 de Julho de 1904 inaugurou-se nas Ribas, a casa de espectáculos da Troupe Dramática Ribense, com o drama em 3 actos de Baptista Diniz, Um Erro Judicial e a opereta Os Trinta Botões.Era director da Troupe, Carlos Rosa

  • Em Novembro de 1905 celebrou a sua 1ª missa o reverendo ilhavense António Caravela, na capela do então Asilo de Nossa Senhora do Pranto. Era pároco da vila, o Cónego Manuel Branco de Lemos

  • A demolição em 1911 da Capela das Almas causou, na altura, uma grande polémica entre os que defendiam a sua manutenção e os que concordavam com a demolição. Era no jornal O Nauta que se debatia a contenda, sendo que este apoiava a demolição.Um leitor anónimo enviou para publicação no jornal O Brado, o seguinte escrito: ” Como está averiguado que se deve ao Nauta o passo gigantesco da demolição da Capela das Almas, propomos que no meio da futura praça se levante uma coluna, obelisco ou coisa parecida, em mármore, com a seguinte inscrição: Aqui havia d’antes uma Capela e, vae ós pois, o Nauta arranjou a necessária campanha, para lhe por a raiz ao Sol da Liberdade e da Moralidade. Tudo o que não for isto, é pouco para obra tão gigantesca”.

  • Em 1911 reuniram-se na câmara municipal todos os comerciantes e industriais do concelho, para acertarem o dia de descanso semanal. A proposta era fechar os estabelecimentos desde o meio dia de domingo, ao meio dia de segunda feira

  • Só em 1868 é que foi aprovado o projecto da estrada que ligaria Ílhavo a Vagos. Anteriormente o caminho entre Aveiro e Vagos era feito da seguinte forma: Aveiro – Santiago – Quinta da Boavista – Verdemilho – capela da Costa – Arribas – Corgo Comum – Lagoa – Praça de Ílhavo – Rua de Espinheiro – Arnal – Chousa Velha – Apeada. Aqui havia duas alternativas: pelas Azenhas da Ermida – capela de Santo António da Pedricosa – barca de passagem para Vagos; ou pela barca de passagem da Vista Alegre – Cardais – Vagos

  • Algumas Capelinhas da nossa zona (Ílhavo e Vagos) – fotos do autor:

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Capelinha no cruzamento de Mesas para Montouro
(exterior e interior) – Vagos

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NªSª da Guia – Ouca

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Capelinha muito degradada nas Mesas – Vagos

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Largo da Nossa Senhora – Mesas (Vagos)

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Tabuaço (Vagos)

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Tabuaço (Vagos)

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Capela de S. Martinho – Bustos

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Tabuaço (Vagos)

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Alqueidão
e Lavandeira (já demolida)

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Sosa (na descida da estrada de
Sosa para a  Lavandeira)

O Cónego José Luís Rangel
Pimentel de Quadros, Arcipreste Reitor da Freguesia de Sosa, mandou fundar e
adornar à sua custa, esta Capelinha com a invocação de Sto. António, sendo
inaugurada no dia 28 de Maio de 1868

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Curtido de Baixo (já demolida)

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Lavandeira (Largo)

Nesta Capelinha faziam-se,
antigamente, as cerimónias da Semana Santa, onde tocaram alguns músicos
Ilhavenses, tais como João Carolla, Dr. José Luís Mano Dias, Guilhermino
Ramalheira, Armando da Silva e outros. O coro onde actuavam (foto a seguir à Capelinha) era muito pequeno, dificultando o desempenho dos músicos. O trajecto
de Ílhavo para a Lavandeira era feito, geralmente, num carro de um só burro. O pároco era o
conhecido Padre Manuel Ribeiro, proprietário da Capelinha.

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Vale de Ílhavo

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Capela de Stª Bárbara-Moitas
(antiga / recente)

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Ermida ( exterior,  interior
e passagem lateral para o Paço )

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Lombomeão (Vagos)


  • O primeiro número do jornal “Os Sucessos” saiu em Julho de
    1888, sendo seu director, Marques Vilar e a redacção no Corgo Comum, onde hoje está
    instalada a firma Venepneus.

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António Maria Marques Vilar


  • Obituário, Crepes, Fúneres e Necrologia eram os termos
    utilizados pela nossa imprensa para anunciar os falecimentos em Ílhavo

  • Délivrances os nascimentos


  • Notícia do Jornal Nauta (director Procópio de Oliveira) em 1908:

Com a simpática tricaninha M.S. consorciou-se o também
simpático nauta ilhavense J.M.F.. Os noivos foram de landaus ao acto religioso,
paraninphando por parte do noivo J.C. e da noiva M.J.. Ao novo par desejamos uma
interminável lua de mel.


  • A nossa Igreja Matriz foi começada a construir em 3 de
    Outubro de 1776, tendo custado 6.195$00. O arrematante da obra foi José
    Rodrigues Ferreira, de Ovar. A 23 de Junho de 1785 enterrou-se a 1ª pessoa nesta
    igreja: o padre João António da Costa da Juliana


  • Dizia um pescador em 1904: ” O quartilho de vinho havia de
    ser uma caneca tão grande que tivesse uma asa do tamanho do Arco da Velha”!!


  • O nome da Travessa do Professor na rua
    Direita foi dado em honra a Domingos Gomes Galvão, primeiro professor de latim
    em Ílhavo e que lá habitou no princípio do séc. XIX.


  • Quando nos festejos da Nª Srª do Pranto se erguiam dois
    arcos….

 Na foto a preto e branco (tirada em 1965) pode ver-se lá ao fundo o 2º
arco.

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Fotos do autor

O primeiro arco  foi construído por Luís Parola em 1800
(tinha o formato dos arcos normais das ornamentações, portanto semi-circular);os
outros mais recentes, foram construídos por Francisco Barreto e por Casimiro
Pires.


  • O café Coração da Praia na Costa Nova foi inaugurado em Setembro de 1904.
    Além de café tinha um salão de baile muito afamado.


  • O grande poeta ilhavense Alexandre da Conceição encontra-se sepultado em
    Viseu.


  • No dia 6 de Fevereiro de 1876 foi inaugurado o Teatro Recreio Artístico,
    local onde hoje se encontra a loja dos Vizinhos na Rua Serpa Pinto. Foi sede
    do Clube dos Novos entre 1905 e 1926 sendo largamente referenciado nos Jornais
    da época, através das muitas festas, teatros e bailes lá realizados. Ainda hoje se podem admirar as suas
    belas pinturas interiores. A inauguração foi feita com a peça “Camões do
    Rocio”

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Antigo Teatro Recreio Artístico (foto do autor)


  • Em Junho de 1838 ainda não estava terminado o cemitério da
    vila, sendo os corpos sepultados no adro da Igreja


  • Orquestra da reposição da revista Galeota nos Bombeiros
    Voluntários de Ílhavo (15 de Maio de 1993):

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Foto do autor


  • Orquestra da reposição da revista Nossa Escola nos Bombeiros
    Voluntários de Ílhavo (28 de Novembro de 1992):

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Foto do autor


  • Na altura da construção do Pavilhão do Illiabum Club

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Foto do autor


  • No programa “O Farol da Noite” de Isabel Roquette na
    Rádio Terra Nova, ainda nos antigos Estúdios

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Foto do autor


  • Programa da Semana Santa em Ílhavo no ano de 1922:

Domingo de Ramos: 11 H  Benção dos Ramos seguida de Missa

5ª Feira Santa: 11 H Missa

15 H Lava Pedes

16 H Ofício das Trevas

18.30 H Procissão

6ª Feira Santa: 9 H Missa

13 H Procissão

17 H Ofício das Trevas

Sábado de Aleluia: 9 H Benção do Círio Pascal e Missa

19 H Ladaínha à Nª Senhora

Domingo de Páscoa: 10 H Procissão

11 H Missa

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Escultura do Senhor dos Passos descrita pela 1ª
vez em 30 de Maio de 1721

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Virgem da Soledad (Virgem das Sete Dores) séc.
XVIII

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Pano de Verónica séc. XIX/XX utilizado na
procissão do Encontro

Fotos de António Rosalino


  • O Clube dos Sucenas deu origem ao Clube dos Novos em 1912. A sua
    sede era na Rua de Espinheiro no prédio do sr. José Rodrigues e os secretários
    da Assembleia Geral eram o padre Ângelo Ramalheira e padre Manuel de Campos. O
    presidente da direcção era o Dr. Joaquim Machado da Silva.


  • Nos anos 20 e 30 havia festa da rija em honra a Santo António da
    Igreja Matriz


  • Em 1925 foram oferecidas ao Museu de Ílhavo as produções musicais
    do conterrâneo José Nunes Baptista


  • O Clube dos Novos extinguiu-se a 7 de Janeiro de 1926


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Direcção do Hospital de Ílhavo e grupo de
Ilhavenses que promoveram as festas de assentamento da 1ª pedra do Hospital, no Clube dos Novos,
em 1 de Maio de 1919
Foto do autor


  • O Salão Cinema (Texas) foi inaugurado em Abril de 1927 no dia de
    Páscoa


  • Vitorino Mendes Maia faleceu a 10-08-27; foi regente da Música
    Nova durante 25 anos, compondo passos dobles e marchas fúnebres. Era apontador
    na fábrica da Vista Alegre


  • Em Dezembro de 1931 estreou-se a opereta em 2 actos “Noite de
    Agoiro” do Dr. Celestino Gomes com música de D. José Pais


  • Em Março de 1933 o Salão Cinema encerrou para obras fazendo
    também a despedida o cinema mudo em Ílhavo. Reabriu em Abril deste ano, com uma boa
    instalação Sonor, mês em que estriou a Revista “Com Papas e Bolos” no dia 2


  • A 15 de Fevereiro de 1911 começou a ser demolida a Capela das
    Almas, que afirmavam estar em ruínas, mas verificou-se, ao demoli-la, que afinal
    se encontrava bastante sólida e sem grandes problemas de desabamento


  • Em Fevereiro de 1911 começaram os ensaios duma estudantina dos
    sócios do Recreio Artístico (antiga loja dos Vizinhos), que tencionavam sair no
    Carnaval deste ano, cantando uma balada com letra do cónego José Maria Ançã e
    música de João Carolla, para angariação de fundos de um bodo aos pobres


  • Em Maio de 1936, o novo estandarte do Município, transportado por
    José Celestino Pereira Gomes, deu entrada na vila

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  • Na procissão das Cinzas de 1937 a Música Velha  tocou uma
    linda marcha de Berardo Pinto Camelo, inspirada na música “Caravelas” da Nossa
    Escola


  • Em Janeiro de 1939 deu-se a demolição do Teatro Municipal de
    Ílhavo


  • Em 1939 houve uma 2ª festa do Senhor Jesus dos Navegantes em 19 e
    20 de Novembro organizada por marinheiros, motoristas, cozinheiros e oficiais;
    participou a Música Velha


  • Em Janeiro de 1947 a Música Velha passa para a Travessa da
    Filarmónica para um edifício propriedade de Eduardo Vaz Craveiro


  • Num cortejo realizado em 21 de Dezembro de 1947 a favor do
    Hospital a marcha foi composta por João da Madalena


  • Em 18 de Abril de 1948 houve festa de S. José na capela da N.S.
    do Pranto em Cimo de Vila com a participação da Música Velha


  • Carlos Bilelo destacado elemento da Música Nova faleceu a 15 de
    Abril de 1948


  • Em 11 de Junho de 1950 à tarde é colocada no terraço do quartel dos B.V.I. uma
    sirene Siemens que se ouvia num raio de 3 Kms e oferecida pela Câmara, substituindo o toque do sino
    feito através de uma corrente de ferro colocada a toda a altura da torre da igreja matriz


  • Em 27, 28 e 29 de Outubro de 1956 grandiosos festejos em honra ao
    Sto. Amaro na Costa Nova


  • ANDADOR era o termo utilizado em Ílhavo para o músico que tinha
    que avisar os seus colegas, quando surgia algum serviço de última hora para a
    banda efectuar,  como por exemplo um funeral. As Filarmónicas chegavam a
    adquirir uma bicicleta para colocar à disposição do Andador e este poder assim
    melhor desempenhar o trabalho. Rosalino Bernardo da Perpétua foi nomeado Andador
    da Música Velha em Novembro de 1924


  • Falando de Feiras…

A FEIRA DO S. MARTINHO NA
VISTA ALEGRE

NOTAS DESAFINADAS DO REPÓRTER


O S. Martinho! Esta feira original que vive radicada na alma do povo é uma festa
que não envelhece nunca. Palavra. Vivem-se longas horas de agitação, vivas horas
de sã alegria. A alma do povo é sempre aquela criança ingénua que anda perdida
numa ilusão alegre.
Mas vamos à feira. Este ano, como quase sempre, a concorrência foi
extraordinária. É uma multidão anónima que vagueia presa duma preocupação
estranha. Aquela gente procura tudo, percorre tudo sem muitas vezes precisar de
coisa alguma. Esta ida à feira é uma obrigação tradicional a que se não pode
fugir.
Mas a feira modernizou-se. É um S. Martinho (Deus me perdoe) papo-seco com as
suas extravagâncias.
Sério. Os suínos compram-se doutro modo e esta gente desvairada que nada em
notas sem nunca tomar banho (que cheiro ali se denota) já fala e compra doutro
modo.
– Quanto vale o gajo? Vamos?
– 10 notas. Nem menos um centavo.
Aquilo é uma balbúrdia jazz bandística, uma barulheira desta hora. Compra-se
tudo por notas. Doze notas, 8 notas, enfim, um mar de notas bem solfejadas em
cadência de fusas aumentadas de valor.
Raios partam as notas e os porcos. Aquele recinto é quase bolchevista, é um
recinto de todos para todos, mas onde todos compram quando falam… notas.
Um recinto mal cheiroso e miserável. Há porcos tétricos e desconfiados que
parecemos ter já a ver a faca brilhante, coçando-se no alguidar. Se as caras dos
porcos são de meter medo a sete, as caras dos donos e dos compradores são
horrendamente desconfiadas.
É assim mesmo.
Mas vamos ao largo aristocrático da feira. Ali já há uma civilidade encadernada
em chippons e étamines. É um largo titular, mesmo quase elegante.
Há barracas, tendas e tendinhas com lenços berrantes acenando num grito.
As fazendas lutuosas e tecidos tétricos estão escondidos. À vista está tudo o
que chama, tudo o que provoca. Muitas gaitinhas, facas e canivetes. Mas tudo
mudado. A loiça churra, a loiça pobre tem umas legendas hilariantes. No rebordo
dos pratos lê-se: “Oh patego olha o balão!”. “Oh Micas enxota o pito!”. Ao lado
um melro dedilha numa banza o corrido. A mulher canta:
Vamos marido amado
Procurar nossos filhinhos
Foram comidos pelas feras
Ou então com fome coitadinhos
A cinco tostões o folheto. A cinco tostões. Olha o grande crime. Um malvado
assassino que matou dois irmãos, um de sete anos e outro de quatro e depois
retalhou-os deitando-os a um valado!!!
Oh alma ingénua do povo que paras deslumbrado à volta da grande vigarice! E os
folhetos são disputados com ânsias.
Agora estamos no local das frutas. Um arraial de maçãs frescas e coradinhas, um
regimento de nozes e castanhas e um estendal de sertãs fritando postas enormes
de bacalhau enrodilhado em farinha. Nas mesas come-se devoradamente. Há
frigideiras de carneiro untuoso e gordurento que deitam um cheiro capaz de
substituir um almoço. Em cima dum cheiro daqueles bebia-se um copo. Mais adiante
vendem-se panelas, serras, machados, chancas, cestos, martelos, lanças,
cobertores, etc.. tantos cobertores e tanto frio!
Seguimos para a feira da madeira. Ali há alguma coisa de triste e enfadonho.
Pouco movimento. É a feira poesia com a ria lá em baixo a correr e os barcos
sacudidos, aproados à terra.
Há jarras, cântaros e batatas. Cacetes e cestinhos para vistas. Voltamos ao
bulício. O mesmo barulho. As cachopas cantam e empurram-se como doidas. Os
porcos lá estão. Sempre o mesmo jogo de notas, a mesma inundação da papelada que
traz tudo maluco. Regressamos. Os pobres ladeando a estrada cantam a sua lamúria
rotineira.
E quase ninguém os vê, pouca gente os ouve. As vendedeiras do fatico desenrolam a sua ladainha. Lá estão a Rosa e a Margarida:
– Vá, leve este casaco que está novo.
A feira de S. Martinho.
S. Martinho, S. Martinho!
Até ao ano, até ao ano!
De regresso, já toda aquela gente anónima cantava num entusiasmo de quem vem
duma animada romaria:
Ora borda, rica filha,
Borda, borda,
Ora borda, rica filha
Borda bem.
Lá em casa, rica filha
Tudo borda,
Borda o pai, borda a filha
Borda a mãe.

13-11-1925
J.R.


  • Em Setembro de 1949 realiza-se a primeira prova ciclista em Ílhavo sendo
    apenas permitidas bicicletas “utilitárias”. Adamastor da Silva foi um grande
    impulsionador desta prova que viria a servir de fermento, mais tarde, 
    à Volta a Ílhavo em Bicicleta

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Fotos de A. Vieira da Silva